sexta-feira, 20 de junho de 2008


Penso, sinto e sofro

Minha sensibilidade
é alvo imenso
De todos os desgraçados!...
Sofro as limitações
De todos os menores
Do que eu:

- Dos mais pobres
dos doentes e incapazes
e até dos feios demais...
Dos nus e esfarrapados
Dos famintos de pão,
De Justiça e de Paz...

- Dos sonhadores
que têm os olhos ao alto,
mas os pés
agrilhoados ao chão...

Sofro a angústia dos oprimidos
Dos roubados e traídos,
Que morrem por liberdade!
E como dói minha romântica
E vulnerável Sensibilidade!
(Gusmão, 1984)

Postado por Rafael, retirado do livro O Contrato Social da Ciência

segunda-feira, 2 de junho de 2008

Silêncio Nu




Vou além do caminho antes feito
de encontro a nascente do sábio rio
Vejo pedras e mais pedras, todas arredondaddas
Mesmo estas, ditas tão duras, estão adaptadas
Pela trajetória, moldadas.

Abençoada água, alma do mundo
exemplo de como devemos ser,
translúcidos, adaptáveis,
aceitar obstáculos e passa-los,
maleáveis.

O transe se aprofunda
o caminho, não penso em fazê-lo,
faço,
Os sons das árvores e das águas são mantras
ouço
sigo

E então, parei,
creio que encontrei,
mais um templo
Nele me detenho, sento e deito sobre as pedras
Nado em estupor, olho tudo com louvor,
Louvor!

Depois de uma longa conversa, com o nada, retorno
enxergo: cada cena decorrente é meu templo.
A simplicidade de tudo ver e nada enxergar;
Tudo entender, sem nada me envolver