sábado, 19 de abril de 2008



Os impulsos já são cotidianos, contínuos, repúdios

A força centrífuga atua, me empurra para fora de círculos sociais; sociedade, este espírito assassino que devora as pernas e as vontades, porque até mesmo sem pernas se vai onde quer.

A chave se encontra nas fugas, mares, montanhas, silêncio interno, oportunidades de reflexão, há tempos fujo de mim, que às vezes aflorava e em seguida voltava a dormir, a última vez que sai para um lugar mais na moda foi quando se deu a explosão, o pavio queimou por inteiro, acabou. Falta/deturpação de valores e idéias, não consegui trocar muitas palavras, não havia muito o que falar, eu estava de luto, um velório com o pessoal do “fundo do poço”, cativos sociais, robôs e zumbis, ali enterrávamos o “eu”, meu antigo e tolerante “eu”, e todos brindavam pra enterrar também, matavam e soterravam a simplicidade, a vida. Afogavam, no copo de cerveja comprada pelo óctuplo do preço normal, as preocupações em sua maioria por dinheiro, trabalho, mulheres/homens, visuais.

Sai com menos peso no corpo daquele ambiente, o que aceitava, o outro que restava, aquele que ainda via tolerante aquele ambiente e aquelas pessoas, ficou por lá enterrado. E os valores, esses, são grandes demais para serem enterrados por gente tão pequena, quem sabe um dia até não despertem aos olhos deles, deslumbrando-os com a verdadeira beleza, o verdadeiro sentido. Consciência.

quarta-feira, 2 de abril de 2008

sem título...

Goya - 3 de maio



ninguém simples ninguém
que me condena
e eu aceito
no mártir perfeito
com uma plena sensação
de puro despeito
e a covardia que acena
sempre desse jeito



Julia Souza