domingo, 31 de agosto de 2008




Me lanço no espaço
A cada instante cesso minha existência
Percorro o caminho e não deixo traço
A respiração, lenta e continua, meu compasso
O tempo é meu, e eu o faço
Me desfaço
Sou uma chama
Tudo que vejo ou sinto me inflama
Trespasso os peitos como uma lança
As teias do amor têm indestrutível trama,
Enxerga, aquele que tudo ama

sexta-feira, 4 de julho de 2008

Diamond Sea



Time takes its crazy toll
and how does your mirror grow
you better watch yourself when you jump into it
'cause the mirror's gonna steal your soul

I wonder how it came to be my friend
that someone just like you has come again
you'll never, never know how close you came
until you fall in love with the diamond rain

throw all his trash away
look out he's here to stay
your mirror's gonna crack when he breaks into it
and you'll never never be the same

look into his eyes and you can see
why all the little kids are dressed in dreams
I wonder how he's gonna make it back
when he sees that you just know it's make-belief

blood crystalized as sand
and now I hope you'll understand
you reflected into his looking glass soul
and now the mirror is your only friend

look into his eyes and you will see
that men are not alone on the diamond sea
sail into the heart of the lonely storm
and tell her that you'll love her eternally

time takes its crazy toll
mirror fallin' off the wall
you better look out for the looking glass girl
'cause she's gonna take you for a fall

look into his eyes and you shall see
why everything is quiet and nothing's free
I wonder how he's gonna make her smile
when love is running wild on the diamond sea

Sonic Youth

sexta-feira, 20 de junho de 2008


Penso, sinto e sofro

Minha sensibilidade
é alvo imenso
De todos os desgraçados!...
Sofro as limitações
De todos os menores
Do que eu:

- Dos mais pobres
dos doentes e incapazes
e até dos feios demais...
Dos nus e esfarrapados
Dos famintos de pão,
De Justiça e de Paz...

- Dos sonhadores
que têm os olhos ao alto,
mas os pés
agrilhoados ao chão...

Sofro a angústia dos oprimidos
Dos roubados e traídos,
Que morrem por liberdade!
E como dói minha romântica
E vulnerável Sensibilidade!
(Gusmão, 1984)

Postado por Rafael, retirado do livro O Contrato Social da Ciência

segunda-feira, 2 de junho de 2008

Silêncio Nu




Vou além do caminho antes feito
de encontro a nascente do sábio rio
Vejo pedras e mais pedras, todas arredondaddas
Mesmo estas, ditas tão duras, estão adaptadas
Pela trajetória, moldadas.

Abençoada água, alma do mundo
exemplo de como devemos ser,
translúcidos, adaptáveis,
aceitar obstáculos e passa-los,
maleáveis.

O transe se aprofunda
o caminho, não penso em fazê-lo,
faço,
Os sons das árvores e das águas são mantras
ouço
sigo

E então, parei,
creio que encontrei,
mais um templo
Nele me detenho, sento e deito sobre as pedras
Nado em estupor, olho tudo com louvor,
Louvor!

Depois de uma longa conversa, com o nada, retorno
enxergo: cada cena decorrente é meu templo.
A simplicidade de tudo ver e nada enxergar;
Tudo entender, sem nada me envolver

sábado, 17 de maio de 2008

Por Trás Da Escuridão

Nem feio, nem bonito
Nem alto, nem baixo
Tão pouco, gordo ou magro
Ali todos são um e forma é vazio
Mais tentadora e iluminada do que o próprio Sol.
O silêncio é muito mais alto,
é convidativo.
Olhos fechados ou abertos?
Tanto faz.
Ali só é cego quem quer ver
Nela voaremos juntos para qualquer ponto do infinito
Sempre estaremos juntos,
não importa a distância
porque lá distância não existe.
Todos seremos um e forma será vazio.

Rafael Ramos

sexta-feira, 9 de maio de 2008



No alto da montanha três urubus brincam,
pulam, calam e planam.

terça-feira, 6 de maio de 2008




Enquanto o olho do sol comanda o que vejo



Enquanto o olho do sol comanda o que vejo,
amor senta como sultão em minha alma.
Seu exército fez acampamento em meu coração
Martírio e anseio, aflição e pesar.
Quando seu acampamento tomou posse de mim
pranteei como se a chama do desejo
queimasse em minhas entranhas.
Amor roubou meu sono, amor desnorteou-me,
amor me matou injustamente, e eu não tenho cura,
amor me queimou mais do que eu podia suportar
então eu lhe deixei uma alma e nenhum corpo

Ibn 'Arabi

sábado, 19 de abril de 2008



Os impulsos já são cotidianos, contínuos, repúdios

A força centrífuga atua, me empurra para fora de círculos sociais; sociedade, este espírito assassino que devora as pernas e as vontades, porque até mesmo sem pernas se vai onde quer.

A chave se encontra nas fugas, mares, montanhas, silêncio interno, oportunidades de reflexão, há tempos fujo de mim, que às vezes aflorava e em seguida voltava a dormir, a última vez que sai para um lugar mais na moda foi quando se deu a explosão, o pavio queimou por inteiro, acabou. Falta/deturpação de valores e idéias, não consegui trocar muitas palavras, não havia muito o que falar, eu estava de luto, um velório com o pessoal do “fundo do poço”, cativos sociais, robôs e zumbis, ali enterrávamos o “eu”, meu antigo e tolerante “eu”, e todos brindavam pra enterrar também, matavam e soterravam a simplicidade, a vida. Afogavam, no copo de cerveja comprada pelo óctuplo do preço normal, as preocupações em sua maioria por dinheiro, trabalho, mulheres/homens, visuais.

Sai com menos peso no corpo daquele ambiente, o que aceitava, o outro que restava, aquele que ainda via tolerante aquele ambiente e aquelas pessoas, ficou por lá enterrado. E os valores, esses, são grandes demais para serem enterrados por gente tão pequena, quem sabe um dia até não despertem aos olhos deles, deslumbrando-os com a verdadeira beleza, o verdadeiro sentido. Consciência.

quarta-feira, 2 de abril de 2008

sem título...

Goya - 3 de maio



ninguém simples ninguém
que me condena
e eu aceito
no mártir perfeito
com uma plena sensação
de puro despeito
e a covardia que acena
sempre desse jeito



Julia Souza

terça-feira, 25 de março de 2008

...


Quando seguir em frente se torna muito difícil, as verdadeiras almas aparecem e nos mostram que toda verdade está além de tudo o que aprendemos ouvindo, e a experiência que se vive, é, e sempre será única e incomparável.

quarta-feira, 12 de março de 2008



a solidão opicional,

excitação de uma mente

que ao contrário de calma necessita de silêncio para seus gritos infinitos.


buscando na quietude, encontrada vagando livremente,

a melhor maneira de os gritos virarem canções

que digam sobre o que pensam, sobre poetas já mortos, sobre livros que hão de vir

que digam sobre corações


como o meu, que aflito por liberdade, sempre some de meus próprios domínios

e quando volta,

me traz uma carga de experiência, inimaginável, pronta para ser usufruida,

aplicada na vida.

solto, permaneço vivendo como o animal que sou,

não mais um dessa espécie que se julga superior

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

Além de Tudo


Que porta é essa que se abre em direção ao...céu?
mais um de meus devaneios passageiros
mais um de meus desejos sorrateiros
que me enganam e me enchem de alegria
que me acalma em seu colo confortável
é aquele que ouve atento
me inspirando a respirar o ar da esperança
sem esse, o sufoco se faria presente
impedindo qualquer iminência de movimento
quero cair na tentação da descoberta
ignorar a regra da coerência
e qualquer apelo por sanidade
só quero achar a chave dessa tal porta
que hora é janela
e seguir o caminho que através dela
sem certeza absoluta,
jamais nos levará a algum fim.

Rafael Ramos

domingo, 24 de fevereiro de 2008

Pedras Rolantes


Pedras rolantes não criam limo. E qualquer pedra rolante além de não criar limo, também se acaba muito rápido. Uma pedra quando começa a rolar, por atrito vai se deteriorando por aí. Deixando seus pedaços em cada canto que passa, em cada coisa que bate, em cada um que atropela, em cada um que leva junto. Pedras rolantes são diferentes de pedras normais. Pedras rolantes não param depois de rolar alguns metros. Pedras rolantes para sempre rolam. Impulsionadas por fatores externos, elas podem mudar de direção, de velocidade, mas nunca irão parar. Desejam (e é daqui que aparecem tantas crises), de tanto rolar, ser uma pedra que não role. Entretanto não gostam da idéia de criar limo, e adoram o seu jeito de ser, sempre marcando tudo e todos. São pedras ativas. Pedras brilhantes, sempre polidas. Não pedras foscas e sem brilho, demasiado normal de se encontrar. A cada momento dimimuem, e têm consciência disso. Sabem que um dia o brilho vai acabar por não haver mais pedra alguma. E sabem que vai ficar apenas pedaços seus por onde passou, com quem esteve. São pedras raras. Sentem forte atração por outras pedras rolantes, e quando juntas, quase sempre acontece avalanche. Quase nunca encontram outras pedras normais que tiveram contato outrora. Sempre deixando pedaços seus, de algumas se perdem, outras, deixam para trás.

Pedro Legey de Abreu e Lima 29/07/07

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

Juro que não é antipatia


Será que me viu? Deu uma olhada pra cá e desviou o olho, mas segue caminhando na minha direção, tomara que não tenha visto. !Isso! não me viu, graças ao gentil cavalheiro que se interpôs no justo momento que cruzamos, tudo bem que eu me escondi um pouco também e olhei pro outro lado.

Lugares públicos, vidas também.

Se bem que eu não via o Alexandre há tanto tempo, e mesmo assim não quis falar com ele quando cruzamos, mas isso não é culpa minha, culpa do clichê e da ladainha imposta. [Oi! Quanto tempo! Tudo bem? O que tem feito?] e depois o silêncio e a falta de assunto [bom te ver, vamos marcar de fazer alguma coisa, vamos marcar mesmo, te ligo], pula essa parte, mesmo que eu queira saber se ele está bem.

Admiro aqueles que vêm me cumprimentam, me dão um sorriso sincero, um tapinha nas costas ou um beijo e se vão, nós sabemos que não temos nada de importante pra falar um com o outro, por que eu perderia tempo e gastaria palavras? Só por falar, não obrigado.

Ai vem a Ju, e agora?! Já me viu e ta rindo na minha direção se esconder, não dá mais. Tenho 5 segundo, e... o celular vibrou, claro. “Atendo”, finjo que falo qualquer coisa, dou um sorriso para a Ju ela me devolve com aquela cara de quem quer falar comigo, ela fala pra caralho, eu sigo meu caminho. Ela já ficou pra trás, já posso colocar o celular no bolso.

Putz onde está o pessoal, esse bloco está aonde? Andar por onde você foi criado tem disso; falar com um monte de gente, ainda mais se você conhece pelo menos uma pessoa por rua do seu bairro, e consequentemente os amigos dos amigos. Vou fazer uma camisa, “só um sorriso já basta, obrigado”.

Agora o celular realmente está tocando:

-Oi! Onde você ta!? Eu também to aqui, Já te vi!

Finalmente, encontrei àqueles que vim encontrar, falar o que realmente temos pra falar.

Devidos cumprimentos, sinceros, amigos, e falamos por muito tempo, eu mais dois, idéias, projetos, música, carnaval, algumas cervejas, eu não, hoje não to bebendo, por quê? Porque não to afim, eu sou assim.

Já são 1:34, e 24ºC, ao menos é isso que ta escrito no relógio de rua na minha frente, o telefone de um deles tocou:

-Alô, oi, to perto do relógio, quase em frente ao hotel. Vem pra cá!

-Quem era?

-Um pessoal conhecido meu, tão chegando aqui! Pessoal maneiro.

-Ok

Prefiro ficar sem pensar em como vai ser, pra não dizer que agourei nada. Tem um grupo olhando pra cá, acho que são eles, sim, são.

Chegaram, nos cumprimentaram, três garotas e um cara, todos muito bonitos. Meu amigo começa alguma conversa com eles, o outro amigo tenta se integrar, olhando pra cara de todos com atenção.

Não, hoje não é meu dia social, com ninguém. Dou as costas e vou embora mesmo, mais uma série de cumprimentos não vai me ajudar muito agora. Caminho de volta pra casa, quero chegar, escutar uma música, um jazz ou um choro cairia bem agora, vozes, são tudo o que eu não quero, é difícil pras pessoas acostumadas a muita informação, sempre um som, uma imagem, entenderem o que eu quero, eles repugnam isso, colocam música pra tudo, a TV sempre está ligada, falam no telefone ou querem encontrar alguém pra conversar. Hoje eu estou no pólo oposto a esse.

To na minha rua, finalmente, deserta. Já vejo minha portaria e como de costume olho pra minha janela, não sei por que, é costume. Quando abaixo a cabeça e olho para frente, a vejo sorrindo, minha vizinha, linda, vindo na minha direção, costumávamos a sair, não a vejo faz muito. Ela me cumprimenta e começa a falar, não sei o que está acontecendo, mas eu não entendo UMA palavra do que ela diz, apenas sinalizo alguns sins com a cabeça e vejo a linda boca mexendo sem parar. E agora? Se ela me fizer alguma pergunta complexa além de um simples sim e não?! Acho que meu sistema imunológico está funcionando muito bem, bloqueando o que eu não queria hoje, mas não era pra ser tão bem assim, eu poderia começar a falar, e assim eu viraria o foco pra mim e depois me despediria e ela não ia notar como eu estou, não, deixa ela continuar, vamos ver no que dá, ao menos até agora não vi nenhuma cara de pergunta.







ao som de Chet Baker - Line for Lyons